

Segundo um estudo da Colgate, 15% dos australianos não se sentem à vontade para sorrir quando querem (o número mais elevado na região da Ásia-Pacífico). E 46% conseguem relacionar-se com o conceito de smile shaming. O principal motivo? Preocuparem-se com o que os outros pensam do seu sorriso…
Por isso, no dia 6 de outubro, Dia Mundial do Sorriso, a marca abordou a questão do “Smile Shaming” com uma pequena alteração no seu famoso logotipo:

Para além de outdoors e mupis onde a marca celebrava a beleza atrás dos sorrisos mais únicos, ainda criou um gerador de sorrisos com inteligência artificial. Aqui, a marca encoraja as pessoas a criarem o seu sorriso Colgate no TikTok e no Instagram e espalhar a mensagem de celebração:

A verdade é que, quando as pessoas estão à vontade, sentem-se mais relaxadas. Há até estudos que indicam que sorrir positivamente impacta a saúde mental, agindo como um anti-depressivo natural e aliviando a dor. E se sorrir consegue ter esse impacto na nossa saúde, então a Colgate quis iniciar o diálogo.
🎯 Venda o benefício do seu produto, não as características. Se reparar, em momento algum desta campanha a Colgate menciona cracterísticas específicas do produto - nem sequer menciona produto algum. O benefício, aquilo que a marca vende, é um sorriso bonito.
🎯 Explore uma tensão atual. Neste caso, a Colgate descobriu que há uma percentagem significativa de pessoas que têm vergonha de sorrir. Este foi o insight, a tensão que a marca optou por explorar. Será que há algum padrão, no atual contexto cultural, sobre a qual a sua marca pode ter algo a dizer?
🎯As efemérides não têm de ser só um post. A maior parte das marcas celebra efemérides com uma publicação, mas podem fazer bem mais do que isso. Podem servir de pretexto para uma campanha com mais notoriedeade que reforce os valores da marca.
Se segue o mundo da publicidade com alguma assiduidade, com certeza que a publicidade que a Maybelline lançou neste verão não lhe passou despercebida:

A ação viralizou e, entre muitos elogios, até chegou a ser considerada por alguns como “a melhor publicidade de sempre”. Mas a verdade é que estes vídeos foram criados por Ian Padgham, artista de CGI da empresa. Ian já tinha trabalhado com outras marcas como a Gucci, Jacquemus e Câteau de Cérons naquilo a que chama de “FOOH” - publicidade Fake Out-Of Home. Aqui ficam outros exemplos:
Já sabia que estes exemplos tinham sido criados a computador? Se não for o caso, que sentimentos lhe despertaram? Será correto levar os fãs da marca a acreditarem numa coisa que não é… real? Será que isto é mais aceitável do que falsear um outdoor da marca numa localização chave?
🎯 Não faça promessas que não pode cumprir. Já houve turistas a visitar Bordéus à espera de encontrar e de andar no elétrico em forma de garrafa de vinho da Château de Cérons. Consegue imaginar o quão desiludidos deverão ter ficado quando descobriram que tinham sido “enganados” pela marca? Uma forma de colmatar esta questão, talvez fosse admitindo prontamente que a publicidade em causa foi desenvolvida com recurso a CGI.
🎯 Mas a tecnologia consegue levá-lo até onde nunca tinhamos chegado. O uso de CGI tem-se provado uma boa técnica para criar vídeos virais… apesar de ainda ser cedo para tirarmos conclusões definitivas, o FOOH tem potencial para espantar os fãs das marcas. Poderá ser uma boa solução para comunicações no dia 1 de abril, para testar conceitos e para muito mais. Na nossa opinião, este conceito tem imenso potencial e desde que contribua para construir um posicionamento da marca e uma relação de confiança com os seus consumidores, tem tudo para ser um sucesso.
