

Imagine que acaba de ser chamado para um focus group onde lhe mostram um serviço inovador. Esse serviço consiste em levar os seus filhos à rua, tal como levaria o seu cão. Foi o que a MultiOpticas fez (e não, não foi no Dia das Mentiras).
Apesar de, lá está, ser uma mentira. Em Espanha, a marca continuou a conversa nas redes sociais, com um tom mais sério, com publicações como esta:
Uma campanha muito bem-humorada, mas que encontrou um feedback muito negativo, especialmente no Instagram. Aqui ficam alguns dos comentários:

Parece ter havido quem não percebesse que era uma piada. Outras pessoas disseram não ter piada de todo, ora porque a ideia em si era ofensiva ora porque nem os próprios animais deveriam ser passeados com trela. Outras acharam a preocupação pouco genuína e que o foco da marca era vender. Contudo, a campanha viralizou e claro que também houve quem a defendesse:

Acha que esta campanha teria tido o mesmo tipo de feedback se tivesse sido lançada deste lado da fronteira?
🎯 No marketing, o humor tem limites. Vivendo em países livres e democráticos, reconhecemos que a liberdade de expressão é um direito fundamental. Mas se temos o direito de dizermos o que quisermos… as pessoas também têm o direito de não acharem graça ao que dizemos, de se chatearem e, no caso das marcas, de deixarem de comprar. O humor é uma arma muito forte para fazer com que as pessoas se identifiquem connosco, mas cuidado, porque também é capaz de as afastar.
🎯 As ideias têm mais força do que dados. Os dados são estáticos e aborrecidos, mas as ideias vivem na nossa imaginação. No final de contas, é o imaginário absurdo para onde a marca nos leva que torna a mensagem tão forte: as crianças precisam de passar mais tempo na rua. Faça bem a distinção entre os dois conceitos, porque comunicar apenas os dados sem uma boa ideia pode tornar a mensagem menos apelativa.
🎯 Que tema social preocupa a sua marca? No caso da Multiopticas, a preocupação social fez com que a marca quisesse levar as crianças saírem mais. A sua marca pode ajudar a resolver ou a prevenir algum problema relevante para a sociedade?
Como já é habitual, o Dia da Mulher teve marcas pelo mundo inteiro a lutarem pelo direito à igualdade de género. Uma das ações que considerámos mais inteligentes, dado à sua simplicidade, foi esta da Molson:
A marca de cerveja canadiana ligada ao hóquei no gelo preferiu tapar o seu nome para dar visibilidade ao nome das estrelas. Numa ação que, ironicamente, acabou por chamar ainda mais atenção para a Molsen do que se não tivessem feito nada. Ou seja, esconder a marca acabou por colocá-la ainda mais à vista.
É incrível como uma simples mudança no design de uma camisola, desde que seja feita com a intenção certa, pode ser capaz de gerar tanto buzz e tão bons comentários em relação à marca.
🎯 Os patrocínios não têm de ser aborrecidos. No caso da Molson, foi tão simples como alterar o design de uma t-shirt, mas há outras formas de o fazer. Pense nos parceiros que a sua marca patrocina, nos suportes em que ela aparece, a quem é que ela aparece… este tipo de patrocínios é tão comum que se torna ainda mais fácil sair da caixa. Já parou para pensar em formas de o fazer?
🎯 Para além da ação, conte uma história. Se a Molson tivesse feito esta ação e depois não a tivesse promovido, acha que teria o mesmo impacto? Provavelmente, os adeptos iriam reparar, mas quando a marca conta a história consegue chegar a muitas mais pessoas do que apenas aos fãs de hóquei. Quando preparar a suas próxima ação, invista tempo a pensar em como vai contar a história que está por detrás dela.
