

Já não é a primeira vez que mencionamos a Liquid Death nesta newsletter e, pelo andar da carruagem, esta não será a última. Mas para quem não a conhece, vamos começar por explicar o contexto em que surge esta irreverente marca de águas.
Por vezes custa a acreditar que apesar de já estar avaliada em 1,4 bilhões de dólares, a Liquid Death apenas começou a vender há 5 anos… Mas a sua história começa uma década antes disso.
Mike Cessario, o fundador com um background no mundo do design e na música alternativa, teve a ideia em 2009. Quando estava num festival reparou que a Monster patrocinava o evento, mas os músicos substituíam o conteúdo das latas de bebida energética por água, para se manterem hidratados. Daí surgiu a questão: “porque é que não há produtos saudáveis que sejam engraçados, fixes e irreverentes?”.
Cessario criou e registou a marca, mas é claro que com um nome e um branding tão irreverentes ninguém queria associar-se a ele. Uma das principais críticas era que “os supermercados nunca vão pôr um produto com “morte” no nome nas prateleiras”. Por isso, em 2018, Cessario criou uma página de Facebook e investiu 1.500 dólares num vídeo publicitário para testar o conceito. Este foi o resultado:
Depois foi às suas poupanças e gastou mais alguns milhares de euros para o promover e, em quatro meses, o vídeo já tinha mais de 3 milhões de visualizações e a página de Facebook… 80.000 seguidores! As pessoas não paravam de contactar a marca para perguntarem se era real e onde podiam comprar a água. Até distribuidores de bebidas entraram em contacto para meterem latas nas suas lojas…
A reação foi de tal forma estrondosa que os investidores que tinham dúvidas sobre o potencial da marca rapidamente investiram 1.6 milhões de dólares e em janeiro de 2019 já vendiam Liquid Death online. Desde então que a marca que se compromete a acabar com o plástico não tem parado com as ações completamente fora da caixa.
Por exemplo, fazendo pouco dos seus haters:
Usando táticas únicas de remarketing :

Fazendo parcerias com atrizes pornográficas:
E, agora, pegando no infame e controverso caso da Pepsi que até deu direito a uma série na Netflix, para oferecer um avião:
🎯 Autenticidade é chave. O sucesso por trás da Liquid Death está no quão autêntica é esta marca. Uma marca que em vez de se esconder dos haters, lhes faz músicas. Uma marca que não tem medo de pegar em temas controversos. Uma marca que não tem medo de meter “Morte” no seu próprio nome. Mais do que chamar a atenção das pessoas, este tipo de ações faz com que elas se identifiquem com a marca. E o crescimento inacreditável da marca em apenas 5 anos só vem provar que as pessoas tinham muita sede de uma água tão autêntica como esta.
🎯 Dividir para conquistar. Nem toda a gente gosta de Liquid Death, mas a marca está-se nas tintas. Por exemplo, quando fizeram a campanha com a atriz pornográfica CherieDeVille (meter aqui o nome vai-nos ajudar em termos de SEO, não vai?) viram outras marcas a abortarem colaborações por considerarem um risco demasiado elevado associarem-se à Liquid Death. Mas isso faz parte de crescer e de assumir um posicionamento e uma voz única. Já reparou que os fãs da Apple e os da Samsung raramente estão de acordo? Não é por acaso… é assim que se criam fãs, posicionando a marca para dividir e conquistar.
🎯 Aposte em algo em que acredita. Se a história da Liquid Death tem algo de inacreditável é como tudo começou com uma ideia e um vídeo. Por vezes, basta um investimento mínimo para testar um conceito. E esse conceito pode valer milhões. Tem alguma ideia que tenha ficado na gaveta? Esperemos que este caso lhe espevite o espírito empreendedor para dar vida a essa ou a essas ideias!
Um dos principais sintomas da doença de alzheimer é a cegueira facial. Por isso, de forma a alertar e a educar as pessoas para esse sintoma, nada melhor do que fazê-las passar por ele. Aqui fica a “Face Un-Recognition”:
Ao utilizarem vários sósias de Uvita Fernández, os próprios fãs do clube ficaram na dúvida sobre se seria mesmo o próprio jogador a aparecer em destaque. Permitindo, assim, que o público vivesse um dos sintomas da doença na primeira pessoa e aproveitando a plataforma do jogador para chegar a milhões de pessoas.
Foi o esforço de apenas uma semana que gerou centenas de milhões em earned media e um aumento de 50% de tráfego do site da Associação de Combate à Doença de Alzheimer. E que, mais importante, serviu para consciencializar milhões de pessoas sobre um dos primeiros sintomas no desenvolvimento de uma doença que cada vez está mais presente nas nossas vidas.
🎯 Crie empatia junto do seu target. Ao colocar o público na pele das pessoas que sofrem de alzheimer, tornou-se mais fácil perceber como se vive esta realidade. Vivenciar diretamente a confusão e a incerteza foi o meio emocional para catapultar esta campanha para o nível seguinte.
🎯 A parceria certa pode fazer milagres. A colaboração com outras marcas populares como os clubes de futebol e os seus associados, aumentam significativamente o alcance de uma campanha. E, à primeira vista, ninguém diria que o futebol e o alzheimer poderiam estar ligados, não é verdade? Como exercício criativo, experimente pensar nas pessoas e nas marcas com uma plataforma ampla… e depois tente perceber como é que as poderia interligar.
🎯 Mais do que a mensagem, pense na forma. Sim, a mensagem é importante. Mas se a forma como transmite a mensagem não captar a atenção do público, não vai chegar a ninguém. Dizer que um dos primeiros sintomas da doença do alzheimer é a cegueira facial é uma coisa, mas fazer milhões de pessoas passarem por isso sem se aperceberem é outra. Daí a criatividade ser tão importante na área do marketing! É graças a ações tão inovadoras como esta que as pessoas falam e discutem sobre os tópicos, seja no trabalho, em casa e até na televisão e em jornais. Por isso, da próxima vez que tiver uma mensagem importante para comunicar, não se esqueça de encontrar uma forma tão apelativa de a transmitir, que toda a gente vai querer falar sobre ela.
