

Quando o youtuber Ryan Trahan anunciou que ia visitar os 50 estados americanos em 50 dias para angariar fundos para o St. Jude Children’s Research Hospital, ninguém imaginava a escala que isto ia ganhar. Muito menos os marketers atentos às oportunidades improváveis.
O que começou como um desafio pessoal tornou-se num fenómeno da internet, com vídeos diários, milhões de visualizações e uma narrativa que misturou humor, emoção e doações que alteravam o rumo da história.
O Ryan e a Haley documentaram cada dia da jornada, misturando a narrativa da viagem com um sentido de urgência humanitária e um “impending sense of doom” ainda maior.
A meta inicial era arrecadar $1M, valor alcançado por volta do 14º dia. Mas, ultrapassado esse valor, os donativos foram crescendo e a rapidez com que aconteciam também, e a série terminou com cerca de 11 milhões de dólares angariados. 10 milhões acima do objetivo inicial.
Mas como é que o Ryan conseguiu?
Graças à boleia que algumas marcas decidiram aproveitar.
Poderíamos falar de muitas outras marcas (e vamos mencionar algumas, mais à frente), mas estas foram as mais emblemáticas:
A Kia foi literalmente o veículo da jornada.
Presente desde o início em cenas de estrada, visitas a drive-thrus, sestas marotas e desafios sob chuva torrencial. Sem slogan. Sem CTA. Só uma presença constante. E, depois de uma visita inesperada a uma oficina durante o caminho, a Kia viu a oportunidade e doou $100.000.
A Airbnb, por sua vez, foi outra das marcas centrais, pois foi onde Ryan e Haley dormiram todas as noites.
Ao mesmo tempo que visitavam os 50 estados, ficavam alojados nos Airbnb mais cool dos Estados Unidos, na tentativa de descobrir o nº1.
O público notou, e começou a pedir que a Airbnb se juntasse à causa. A meio da jornada, a marca respondeu: doou $250.000 e aproveitou para comunicar o seu novo serviço.
Não foi uma parceria proativa (ou, se foi, foi muito discreta!) e acabou por ser a base da série. Uma integração real, útil e culturalmente validada por quem estava a ver.
(Até porque, agora, há vários vídeos sobre os Airbnbs incluídos na série…)
No final desta viagem, é verdade que ambas as marcas doaram para a campanha, mas o que realmente fizeram foi tornarem-se love brands por reconhecerem o valor do Ryan e o trabalho que ele fez pelo St. Jude Children’s Research Hospital. E ainda ganharam o tipo de awareness que não se compra com paid media.
Marcas como a Dollar Shave Club, Lectric, T-Mobile ou Starbucks (num número superior a 110) não compraram espaço. Compraram um momento.
Entraram no jogo ao fazer doações que desbloqueavam twists, penalizações ou vantagens no enredo, através da wheel of doom.
Foi uma forma de aparecer sem interromper. E isso, para quem percebe de branded content, é ouro.
🎯 É sobre entreter, não sobre interromper: a melhor publicidade é a que parece não estar lá. Quando a marca é parte da jornada, e não uma interrupção, a aceitação é natural e o impacto é real. Não penses só no que queres que a tua marca diga. Pensa em como é que fazes com que o público o sinta e numa forma na qual ele esteja interessado em ouvi-lo/vivê-lo.
🎯 O product placement mais eficaz é o que não é forçado. É o que é vivido.
🎯 Quando as marcas respondem ao público e se juntam a causas, a credibilidade da marca melhora. Houve várias marcas que estiveram presentes na vida do Ryan e da Haley durante os 50 dias, mas nunca se juntaram à causa.
🎯 Saber quando apanhar a boleia dos criadores de conteúdo é chave. Não é preciso sermos os primeiros. Basta ouvir o público e aparecer na hora certa. Saber reagir ao contexto é o que nos faz ganhar ainda mais fãs.
Depois do escândalo durante o concerto dos Coldplay, houve muitas consequências: investigações internas, demissões e uma reputação corporativa repentinamente em risco.
O que não esperávamos era a resposta da empresa:
Um vídeo surreal (e hilariante) com a Gwyneth Paltrow, ex‑mulher de Chris Martin, vocalista dos Coldplay…
🎯 Timing e tom são armas poderosas no controlo de crise. A Astronomer não fez um pedido público de desculpas. Em vez disso, adotou uma abordagem lateral, institucional e quase irónica.
🎯 Escolha de casting como estratégia. A Gwyneth Paltrow não foi escolhida por acaso. A ligação dela aos Coldplay acrescentou uma camada extra de humor implícito.
🎯 Humor sem dramatização funciona. O vídeo não tenta ser viral. Ele apenas desarma a notícia, reposicionando a narrativa com alguma graça e autoconsciência.
🎯 Da crise à notoriedade positiva. A marca transformou um escândalo num momento de atenção global para a sua tecnologia e os seus serviços, o que resultou num crescimento exponencial de tráfego e reconhecimento.

Mas se tiveres dúvidas, fica aqui um vídeo para te elucidar um bocadinho mais!