

Parece que já foi há imenso tempo, mas nem um mês passou desde o “apagão” do Facebook, Instagram e Whatsapp. Foi no dia 4 de outubro que algumas das redes sociais mais populares do mundo ficaram inativas durante 6 horas. Este foi o tempo que as pessoas ficaram impedidas de utilizar as suas aplicações e que as marcas ficaram impossibilitadas de comunicar com os fãs e clientes por estas vias.
O próprio Facebook recorreu ao Twitter, um dos principais concorrentes, para comunicar com os fãs:
E claro que, tanto o Twitter como outras marcas, se juntaram para brincar com a situação:

Os mais atentos terão passado pelo assunto de forma superficial: “foram só umas horas, não é dramático”... Mas os mais atentos levantaram uma questão que já devia ter vários anos: o quão dependente está a sua marca dos dados de terceiros?
Há marcas a fazer um percurso de digitalização há anos e que ainda se focam apenas em métricas como a interação e o número de seguidores nas redes sociais. Outras focam-se em perceber o retorno dos anúncios feitos nestas redes sociais.
Mas será que já pararam para pensar que quanto mais investem para atingir esses objetivos, mais dados estão a dar a essas redes… e a ficar cada vez mais dependentes delas?
🚩 Se durante o “apagão” do Facebook e companhia, a sua marca ficou sem forma de contactar os seus seguidores, isso devia ser uma bandeira vermelha. 🚩🚩🚩🚩🚩
🎯 A sua marca está preparada para um apagão definitivo das redes sociais?
🎯 Se quiser usar a audiência que demorou anos de investimento a criar e a afinar noutras redes sociais, consegue fazê-lo?
🎯 Tem acesso a emails e/ou contactos telefónicos dos seus consumidores, com as devidas autorizações para os contactar diretamente?
🎯 Tem esses dados tratados de forma a serem atualizados em tempo real e a serem facilmente utilizados?
Se a resposta a alguma destas perguntas for “não”, lembre-se que este apagão teve um efeito positivo: foi o alerta de que precisava para começar a ler sobre third-party data e first-party data e para começar a integrar uma estratégia de angariação, tratamento e utilização de dados proprietários na sua estratégia digital.
Toda a gente gosta de marcas que contam histórias (storytelling), mas quando essas histórias se tornam realidade (storydoing) ganham um sabor especial. A marca de frango frito norte americana, cansada de aturar wannabes que dizem saber a receita original (é possível encontrar mais de 500 000 vídeos online de imitadores), lançou um desafio ao seu exército.
A comunidade KFC foi desafiada a procurar e identificar todos os vídeos que tentem imitar a receita original do seu frango frito e depois enviar para a marca.
O que recebem os fãs em troca? Frango da KFC, claro!
Para além de ser uma campanha cheia de sentido de humor, a marca aproveita para interagir com a comunidade, premiar os maiores fãs e ainda aproveita para se posicionar como uma marca única e original.
🎯 Há alguma forma de recuperar consumidores para a sua marca, segmentando-os a partir de uma campanha online? A KFC usou esta campanha para fazer com que todos os que estão dispostos a trocar a marca por um produto copiado… voltem a provar o original e sintam a diferença.
🎯 A sua marca tem trabalhado a comunidade online? Há alguma forma de mobilizar os seus fãs para criarem um movimento em torno da marca?
🎯 Contar uma história é bom, mas envolver os fãs na história é melhor! A humanização das marcas e o marketing experiencial são chave, pois levam os consumidores a terem sentimentos mais positivos sobre as marcas. Como pode envolver os fãs na história da sua marca?
Se usa as redes sociais, dificilmente a marca About You lhe terá passado despercebida nas últimas semanas.
A marca lançou as redes sociais em junho, mas a sua comunicação foi focada em dark posts e feita através do que costumamos chamar de teasing: a marca não explicava o que era e usava a curiosidade para que toda a gente ficasse à espera para descobrir o que era a marca, algo que aconteceria no dia 26 de outubro.
Nesse dia, percebemos, finalmente, que esta é uma marca alemã que promete ser “a loja on-line de moda mais personalizada”.
A questão que se coloca é: a campanha resultou?
O gráfico abaixo, que mostra o volume de pesquisas pelos termos “about you” em Portugal no último ano, falam por si: se em maio havia 1 960 pesquisas sobre o termo, em setembro houve 27 240 pesquisas. E a marca só foi revelada em outubro, dados esses que ainda não estão disponíveis.

A About You trabalhou as várias fases do percurso do consumidor antes mesmo de revelar o produto: focou-se em aumentar a atenção e a atração da marca durante meses, para que no momento em que o produto estivesse disponível houvesse uma vontade real de a experimentar.
🎯 Devemos vender para, com os lucros investir em marketing; ou investir em marketing para vender e aumentar os lucros? A About You começou pelo marketing. Num mundo ideal, um produto é tão conhecido e apetecível que a única coisa que é preciso fazer é colocá-lo à venda para que esgote. Foi isso que a About You tentou com esta estratégia.
🎯 Fará sentido estar a investir numa marca que ainda não está a ser vendida e sobre a qual não é possível saber quase nada quando se podia investir esse mesmo dinheiro num momento em que se tem vendas imediatas? Apesar de ter funcionado para a About You, nada nos diz que a estratégia resultou melhor do que focando todo o investimento a partir do dia em que a loja foi lançada.
Acima de tudo, se for planear o lançamento da sua marca pense numa coisa: o seu orçamento é grande o suficiente para conseguir apresentar a sua marca de forma recorrente ao seu público-alvo?
A repetição foi um dos segredos desta campanha: com um orçamento ajustado ao seu público-alvo, a About You apresentou a cada pessoa viu os seus anúncios vezes sem conta e isso gerou notoriedade. Se o orçamento só tivesse permitido ver a marca uma vez nos últimos meses, esse efeito desapareceria.
Por isso, se tem um orçamento curto, pondere bem antes de avançar para uma estratégia de teasing. Pode estar a gastar dinheiro e não ter capacidade suficiente para gerar a notoriedade que pretende. Se o fizer num momento em que já pode vender, também poderá ganhar dinheiro para reinvestir na sua estratégia de marketing.


